i
na tua ausência percorro o caminho
que imagino ir dar ao teu encontro
concedo-me o desconto da animalidade subjacente
são vielas escuras que se sobrepõem
como duas moscas acasalam
que me aventuro penetrando
as cuecas grandes penduradas nos estendais
cujos testemunhos orgânicos sobrevivem às lavagens
são risíveis insalubres
como as minhas fantasias
os meus pré-sentimentos
mísseis no casulo aprisionados.
iii/ii
nesta guerra fria mas quente
um rio surge que não posso atravessar
pois não significas tanto assim
ii
dá-me, querida às vezes
o privilégio da tua ausência
quando eu quiser
não venhas para aqui urdir vontades
chacinar o meu ouvido impaciente
nas horas em que simplesmente não penso
em te baixar as calças
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2 comentários:
Engraçado, algo profundo, mas másculo(?)
Muito bem! Pontos de bónus pelo humor.
É impiedosa a forma como acabas este poema. Gosto da violência subtil que transmite.
Continua a escrever, vou passando por aqui. ;)
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