Agora imagino-me aqui
com uma outra cor que eu nunca vi
ao ponto de não a poder imaginar
imagino-me agora ali
a dançar o contraponto de um chuveiro
dentro de um alguidar amarelo
imagino que imagino tudo
sem na verdade imaginar o que imagino imaginar
eu posso imaginar que imagino o mundo
imagino-me então
a pedir perdão
por tudo o que fiz e
por tudo o que não acabei de fazer
perdão por nada e por tudo
o que eu podia ser
o paraíso é nada mais do que
quando anoitece
a luz se aborrece de fluir
o sol se cansa de sorrir
e nós na escuridão cada vez mais iluminados por dentro
mágicos do momento
técnicos de som e imagem
imagino-me
a não ter medo do depois
e a temer as consequências
mas só posso imaginar que me imagino assim
porque na verdade estou presa à idealização
sem ter todavia
qualquer ideal
nem sequer a harmonia porque
paz e amor não dão
qualquer emoção
que eu só poderia imaginar imaginar
domingo, 14 de Setembro de 2008
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