quinta-feira, 17 de Abril de 2008

o manto vermelho

Hoje assisti de dentro do balde
que é azulado mas transparente
para a água parecer menos suja e mais
paradisíaca
ainda assim boiava eu naquela amálgama de cabelos longos mas
perdidos naquele
emaranhado de peles mortas que entrelaçam os meus
tentáculos! Checheche a água a oscilar com o arrombar repentino
de uma janela a corrente de ar o arrepio de frio
a água do chuveiro já a fumegar
com a cortina toda encolhida a um canto já se
salpicara todos os ténues azulejos em redor

eis que a porta se abre e fecha num
movimento apressado
ao ser dado o segundo passo um pé
em falso desliza pelo azulejo molhado
e do impacto de um crânio na aresta da parede
irromperam repuxos de sangue
um cotovelo derrubou o balde
que me albergava e aquela água com seres vivos
choca e parada sufocou umas narinas e uns ouvidos
durante o desmaio também alguns dos meus tentáculos ficaram envolvidos
com este molho lânguido do sangue. O chão era quase surreal

(Dona) Esfregona

2 comentários:

catarina disse...

Um filme de terror numa escala abaixo da nossa perspectiva. Comentários para quê?! É da quebra temática que vem a pérola deste poema. É preciso ter cabeça.

bITaS disse...

:-o