domingo, 30 de Março de 2008

in dilema

As sombras na parede como
um dilúvio incandescente imprevisível
lento
como uma borbulha
na minha cabeça chiam os travões
de um veículo pesado
que ferá ele assim infiltrado
numas alucinações

de súbito um pequeno silêncio

e logo a seguir
o ronronar de um carro
mas este já percorreu a estrada verdadeira
aquela depois da minha janela
e que bela vista é
repleta todo o dia de pessoas a pé
e viaturas buzinantes
por outro lado é maçador
porque não me deixam dormir
ao meu lado a aflição em forma de repouso
o delírio culpado de
uma não-devoção passageira
de um relapso imperativo das
relações

a intuição extradita exclui
que quem eu fui
retornará para tomar
o meu lugar e afugentar as sombras e os barulhos
mas sem o que eu sou
ao meu lado a aflição em forma de
aflição

4 comentários:

Catarina disse...
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Catarina disse...

Uma noite não como as outras. A teu lado a aflição só tua que tanto desejava que não fosse aflição mas alívio. Se quem passa na rua te quisesse tocar, se todos esses veículos que ousam perturbar o silencio que te ataca se juntassem num exercito sem compaixão, a aflição vedava-te os ouvidos, tapava-te os olhos com a linha do seu pescoço e maxilar e abraçava-te até tudo de abandonar.
Já te tocam demais.

Monitor de LCD disse...

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GAGGINGyou disse...

Bons textos! Já escreveste melhores ( como se te ralasses com a minha opinião ; ) )... mas muito bons como sempre! E acredita...leio muito Blog!