quando nasci ainda não houvera o catastrófico
apocalipse dos dentes de leão
ainda se curava com chá a hipertensão
tudo era como uma camisola de lã pura num dia frio ou
como um barco no rio
hoje é sintética a pele e dentro dos barcos navegam
pedófilos
desfizemos os muros de adobes com as nossas mãos
quando os muros ainda eram
frágeis rústicos como os dedos calejados
de um velho
e por detrás das amoras verdes o nosso sopro despia
o dente de leão de cada semente
amor de homem ou amargosa flor
ou a esperança que o vento traz
para dentro de casa quando deixamos abertas
as janelas de madeira de nogueira mas
o amor tem cara de mulher
e o corpo
de leão
eu fecho as janelas, para mim
parece não haver redenção possível ou
esperança, porque eu não creio em
deus que abre dez janelas quando fecha
uma porta talvez porque quando pela porta entra
a desgraça saia
pela janela a vergonha e eu
fecho-me e
eu prefiro a controvérsia das canalizações
as cabeças calvas dos quartilhos
e as cabeças calvas dos mestres e a monotonia de
não esperar nada e
deixar tudo murchar.
O telefone toca mas
o meu pé frio marca o ritmo de outra música qualquer
sexualmente extravagante porque
ainda é alguém a dizer-me que
outra pessoa morreu e
quem espera por sapatos de defunto morre descalço
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4 comentários:
Objectivamente:
Abriu-se mais um botão do espartilho, tudo se abriu. Não tens razão, aqui jaz defunta toda e qualquer duvida, nunca pares.
Deixa a musica sexualmente extravagante guiar-te.
Maravilhoso.
o melhor de quem espera pela redenção é estar sempre no centro e estar na multidão é fodido quando não se tem pedras para mandar.
Como em todos os bogs...vim de link em link, como uma minhoca de folha em folha. Gostei do que escreves e, na verdade, nem sei bem porquê.Na verdade nem sei bem porque aqui fiquei e escrevi...mas li, li e gostei. Um beijo
foda-se...quanto mais leio, mais gosto! odeio-te por seres tão distorcida como eu!odeio-te pela falta de nexo que me é tão familiar!odeio-te por mexeres comigo!odeio-te por de certa maneira te adorar!
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