a minha vida é triste como a de um general
com reforma por invalidez e para além disso
impotente
de que servem as insígnias se nunca pôde lutar
pela sua pátria a arma deposta no passado queima-lhe
as costas com as lembranças da queda
que fora sobreviver
sonhai portanto o mais que pudeis
infiéis
vocês só têm uma dissimulada
deambulante titica de galinha
velha e eriçada
que pela preguiça a digerir
acaba por defecar grandes
bocados
a invalidez é um iogurte
entornado quando a sede mais apertava
de repente os pedaços de morango
espalhados pela pedra das escadas
a rodear, como faz o mar com uma ilha
uma beata de cigarro
e o seu ventre arqueado era um grande cais
depois do caldo entornado o que mais faltava era
ficar paraplégico é péssimo
só poder olhar de cima ursinhos de peluche
e de lado as pernas com varizes das avozinhas
como se fossem pequenos ovos alienígenas
do qual brotavam desfiguradas
lesmas saltitantes, os seus
pequenos nadas
a falta de circulação
pode afectar o coração mas nem assim
batia a bota da tropa
a disciplina é tanta que eles falam
como se já tivessem tido traumas
de guerra eles falam outra língua
que ninguém sabe classificar é
muito perturbante parecem
deuses a deliberar
delírios
à febre ninguém escapa mas nunca houve
uma enfermeira gira que
o atendesse
eram sempre anafadas e com verrugas
sobre o lábio e assim no hospital
nunca teve a cura
para o seu outro problema
viver não faz sentido se
passados muitos anos
sentados na mesma cadeira
e ele estava profundamente arrependido
por ter nascido
quarta-feira, 29 de Agosto de 2007
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1 comentários:
"Escapou-te" isto?
Lindissimo.
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